O Vento.

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Lançamos o Chuva em 2004.

Agosto daquele ano pra ser mais exato. 1 ou 2 meses antes disso eu assisti a uma palestra/mesa redonda sobre quadrinhos independentes, artistas conhecidos compartilharam suas experiências e naquele momento consegui visualizar algo mais concreto, não precisaria ficar desenhando pra mim mesmo e torcendo pra que alguma editora pra quem mostrasse o material me contratasse. Melhor, não precisaria me topar com o serviço típico de início de carreria, que seria algo como participar de uma linha de montagem de HQs. Com aquelas descobertas, poderia passar minha própria mensagem, ser reconhecido pelo meu próprio trabalho e a única coisa que me impedia de conseguir isso, era uma simples atitude de dar o primeiro passo. Descobrir aqueles detalhes todos, foi o pontapé inicial que eu precisava, bastava simplesmente....começar.

Absurdamente cru, não queria produzir uma obra-prima. Acho nem mesmo estando "não-cru" teria essa pretensão, mas sabia que o que quer que saísse primeiro, seria amador o suficiente pra visualizar bem minhas deficiências.

Tendo em vista essas possibilidades todas, vi que não daria certo trabalhar em algo do zero, por conta própria, seria plausível formar uma parceria e dividir melhor a tarefa.

Simples assim, nasceu Chuva Contra o Vento. Ou não TÃO simples assim, pois quando encontrei o Rodrigo (que fez recentemente sua própria análise do projeto no seu blog) pra falar sobre a palestra e mostrar o que comprei naquele mesmo dia, ele já tinha um projeto, uma história meio louca cujos personagens (alguns deles) eram Che Guevara, Chorão do Charlie Brown Jr. envolvidos em alguma trama que tinha a Coca-Cola como cenário. Não lembro bem e ele pode dizer melhor, era algo como o Che estar vivo e sendo secretamente o presidente da marca de refrigerantes.

(...)

Enfim, sugeri algo mais pé no chão e que retratasse nossa realidade, que apesar de não ser há muito tempo atrás, tínhamos uma cabeça bem diferente, ele tinha uns 19 anos e eu de 20 pra 21. No dia seguinte ele mandou um roteiro, sem nome que descrevia as 7 primeiras páginas do Chuva. Servia de forma perfeita pra uma história curta e auto contida, mas a idéia era de uma série e assim que ele deu continuidade com as páginas seguintes, eu fui elaborando esboços pra essas primeiras 7 páginas, integrantes de uma série ainda sem nome.

O nome surgiu de um "brainstorm" numa praça de um shopping de São Bernardo, tinha um caderno com esboços e cronogramas das páginas e fomos jogando com palavras até que veio a frase "Chuva Contra o Vento". Sonoridade interessante mas sem uma relação inicial como que já tinha escrito, servindo assim de inspiração pro desenvolvimento da história, que ganhou uma motivação, moldando os acontecimentos em torno dessa sonoridade e significados, que apenas no final das 50 e poucas páginas, ganhou o sentido literal, mesmo que não tão literal assim.

O título serviu ao propósito da história, continuou agradavelmente vago, ao mesmo tempo que sua simples menção ao fim da história matou a coceira de saber seu significado, mesmo que este não tenha sido exatamente explicado.

Foi além das nossas próprias expectativas, o fato de ser uma história honesta e sem pretensões transpareceu e atingiu as pessoas. É o trabalho amador que foi previsto desde o início, mas retrata de forma bastante eficiente a realidade de muita gente, e isso foi atingido com eficiência até maior do que muito trabalho "profissional" e isso pra gente foi motivo suficiente pra nos orgulharmos do trabalho.

Hoje ele ganha uma nova "roupagem", nada do amadorismo inicial foi eliminado, apenas ganhou algo a mais, algo que tirasse bom proveito da liberdade que a publicação (online no www.4mundo.com) oferece. Precisava de algo que o sulfite xerocado da época não permitia, assim vieram as cores, e como consequencia do trabalho renovado veio também o novo letreiramento, dessa vez com uma fonte decente e um programa decente. Coisas que apenas facilitaram um pouco mais a leitura e deixasse levemente mais agradável. Junto com isso veio também o feedback mais prático, com um campo de comentários simplificado pra cada página, pudemos saber quem gostou e quem não gostou, quem teve algo a dizer e adicionou mais uma camada desse projeto que parecia encerrado há muitos anos. Foi nossa prova, nosso teste de que o trabalho online agrada, prova de que muita gente que leu na tela se interessou e muito por uma versão impressa, derrubando assim algumas impressões precipitadas dos mais incrédulos. Internet é uma ferramenta, jamais uma substituição. Coisa que esses mesmos comentários comprovam, levantando uma questão a respeito do trabalho nosso específicamente. Ficou a dúvida a respeito de uma reimpressão da história, esta que voltou aos nossos planos e pode ganhar um formato suficientemente interessante, fazendo jus à nova versão encontrada online. Avisaremos assim que algo for confirmado.

Por ora é assim que ficamos. Chuva Contra o Vento se encerra mais uma vez, ganha mais leitores e assim como na época em que foi originalmente publicado, desperta o interesse em outras coisas de nossa autoria.

Pretendo escrever mais posts durante os próximos dias a respeito do Chuva e as coisas que o cercam, como dúvidas a respeito de outros trabalhos, bem como curiosidades acumuladas ao longo da sua publicação, ocorrida originalmente entre 2004 e 2005, dividida em 7 partes com número de páginas variando entre uma edição e outra. E elas eram exatamente assim:

2 Responses to “O Vento.”

  1. # Anonymous Cadu Simões

    Cara, esse lance do Che Guevara ser o dono secreto da Coca-Cola é o plot mais genial que já vi. Se o Rodrigo não escrever essa história, pode ter certeza que eu irei. =)  

  2. # Blogger MARCELO SOARES

    O que posso dizer sobre Chuva Contra o Vento? Que é uma história fantástica? Que é sensivel, bem humorada, conscientizadora e cotidiana na medida certa? Que começou lenta e teve uma crescente que se tornou arrebatadora ao fim? Poderia dizer tudo isos e muito mais, só posso dizer obrigado a vocês dois, por mostrar que a HQ nacional pode fugir do lugar comum e ainda ser bem produzida. Palmas!  

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